Como parecem felizes
Correm para lá...correm para cá...
Falando alto como que com muita força
Sorriem...
Invejam...
Queria agora ser criança como elas
Para não pensar como adulto
Disfarçando a angústia por viverem num mundo limitado.
E brincam...
Quem pode revelar os seus interiores?
É assim que disfarçam a dor,
A vontade de viver diferente?
Correm, pulam...não cansam...
Mas tem horas que param
E cabisbaixas vão para suas singelas casas
Com olhares tristes
Assim, tão de repente...
Perguntando: há o que comer?
Não esquecendo a fome
Ouvindo sempre a mesma coisa
'Vai se arranjar, calma, tudo vai passar'
Tudo para tentar aliviar a dor,
Em que não se encontra cura.
Corrói, machuca.
Mas o que fazer?
Assim são os dias desse lugar...
Da brincadeira sem graça
Da terra da caatinga.
(Dora Flore - inspiração durante uma reportagem assistida sobre o sertão nordestino com depoimentos de famílias humildes vivendo na extrema seca - ainda esperançosos por uma vida melhor)
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