11/11/08

Retrato de um Povo - homenagem 1 sertão nordestino

Sou dono de muitas águas
Mas destas não posso beber.
Tenho terras
Mas dela não posso colher.
Tenho casa
Que não me anima enfeitar.
Tenho vontade de vencer
Mas não tem em que trabalhar.
Sou do sertão nordestino.

Aqui me pôs Deus
Mas não dá para conduzir a vida.
A morte é imaginariamente solução para muita gente,
Que debaixo do sol ardente
Vêem os longos campos secos
De uma terra que só se planta sonhos,
Sonhos e ilusão.
Queria ver as estrelas brilharem mais...
A lua ofuscada está...
O sorriso, quando há sorriso,
É só para disfarçar a tristeza
Que sentimos
Transparece no olhar de nossa gente.

Rezo de dia e de noite
Pedindo um novo amanhecer.
Água jorrar de um poço,
Poder plantar, colher e comer.
Este é o sonho que perdura
Retrato de um povo,
Sertão nordestino
Que vive de esperanças e sonhos.


(Dora Flore - inspiração sob uma reportagem com depoimentos sobre o sertão nordestino)

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